terça-feira, 5 de junho de 2018

O grande amor de Deus - O Deus que ama pecadores miseráveis

No texto de hoje trago uma simples e breve reflexão sobre o Grande Amor de Deus, baseado no livro Os Atributos de Deus de Arthur W. Pink, um evangelista e escritor do séc. XX. Se Deus quiser, mais à frente, farei uma série de artigos sobre os Atributos de Deus, com base neste mesmo livro, que já aproveito para indicar, pois será de grande proveito e edificação para todos os cristãos. Aliás, a própria Escritura diz: ''Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor...'' (Oseias 6.3). Decerto, esse livro nos ajudará bastante.

Apesar da nossa pecaminosidade e miserabilidade, Deus nos concedeu por Sua soberana graça a bênção da salvação; e por Sua livre e espontânea vontade  decidiu nos salvar, não se atentando para o que podíamos fazer de bom para nos tornar merecedores da salvação, pois de fato, nada podíamos fazer, visto que estávamos mortos espiritualmente. Deus nos amou, mas não porque éramos dignos, amáveis ou bondosos, mas sim porque Ele é bom e misericordioso.

O texto áureo da Bíblia diz: 

''Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna''. (João 3.16).

O grande apóstolo Paulo disse o seguinte em sua epístola aos Efésios, veja: 


"Todavia, Deus que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões". (Efésios 2.4,5)

Reparem que Deus nos outorgou a vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em nossos pecados. Se estávamos mortos espiritualmente, é certo que não tínhamos nenhuma capacidade de fazer algo para nos livrar do estado terrível em que nos achávamos, pois um morto é incapaz de fazer qualquer coisa e muito menos de buscar a Deus. Porém Deus, por pura graça, estendeu-nos Sua mão e deu-nos a vida quando ainda estávamos mortos em delitos e pecados, reconciliando-nos assim com Ele por meio do Sangue de Cristo vertido na cruz. Antes de nascermos e antes de praticarmos o bem ou o mal, já éramos eleitos de Deus ( Ef 1.4; 2 Ts 2.13; 2 Tm 1.9) e alvos do Seu grande amor.

Todas as dádivas que recebemos de Deus é o resultado do Seu infalível, incalculável e inexplicável amor, que foi dado a nós, seus eleitos, gratuitamente, sem termos feito uma obra sequer para merecê-lo. Mas que amor é esse?

Primeiramente é importante frisar que Deus possui inúmeros atributos (onisciência, onipotência, onipresença, eternidade, imutabilidade, justiça, ira, misericórdia, bondade, benignidade, santidade, supremacia, paciência etc). Todavia, diferente dos outros atributos que Deus possui, o amor é a Sua própria natureza e essência. Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que Deus não possui amor, Deus é amor!

Arthur W. Pink  diz o seguinte sobre o amor de Deus:

"O amor que uma criatura tem por outra deve-se a algo existente nelas; mas o amor de Deus é gratuito, espontâneo e não causado por nada nem por ninguém. A única razão pela qual Deus ama alguém, acha- se na sua vontade soberana".

O amor de Deus por nós está baseado na Sua vontade soberana, isso significa que Deus não nos ama com base na nossa capacidade de amá- Lo, pois sendo nós criaturas pecadoras não temos em nós mesmos a capacidade de amar a Deus. Se hoje amamos ao Senhor é porque Ele nos regenerou, dando-nos um novo coração que se inclina para Ele, e conforme diz as Escrituras, nós o amamos porque Ele nos amou primeiro! ( 1 João 4.19).

Mais uma vez A.W Pink diz:

"Deus nos amou não porque nós o amávamos, mas nos amou antes de nós termos uma só partícula de amor por ele. Se Deus nos tivesse amado em resposta ao nosso amor, então o seu amor não seria espontâneo; mas visto que ele nos amou quando não o amávamos, é claro que o seu amor não foi influenciado".

Com isso aprendemos que o amor de Deus não foi e nem é influenciado por nada existente em nós. Até porque, o que há de bom em nós que tenha atraído o amor de Deus? Nada.  Como foi mencionado, o amor de Deus por nós é espontâneo. Ele nos amou por sua livre e espontânea vontade, não sendo esse amor pretensioso nem inspirado por nada existente em nós.

Vale ressaltar que o amor de Deus também é santo e puro. Deus não nos ama de um modo romântico e melado, como muitos pensam. Engraçado que um grande número de pessoas equivocadamente imagina que Deus se derrete (vamos dizer assim) de amor pelos seres humanos, como se Ele fosse como nós, achando com isso que Ele não consegue viver sem suas criaturas. Mas esse pensamento é absolutamente errôneo, primeiramente porque Deus é autossuficiente, satisfeito e completo em si mesmo, não precisando de nenhuma das suas criaturas para lhe fazer companhia ou se sentir bem; segundo porque o Seu amor não é igual ao nosso, baseado em sentimentos e afetos. Sobre isso, veja o que A.W. Pink diz:

"O amor de Deus é santo e não é regulado por caprichos, paixão ou sentimentos, mas por princípio. Assim o seu amor nunca entra em conflito com sua santidade. Que 'Deus é luz' (1 João 1.5), se menciona antes de dizer-se que 'Deus é amor' ( 1 João 4.8). O amor de Deus não ê mera fraqueza boazinha, nem brandura efeminada. As Escrituras declaram: ‘O Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho’ ( Heb. 12.6). Deus não tolerará o pecado, mesmo em seu povo”.

É importante salientar que o amor de Deus não anula a Sua justiça nem a Sua ira. Não é porque Deus é amor, bom e misericordioso que por isso deixará de castigar o pecador que não se arrepende dos seus pecados. Deus é puro amor, mas Ele lançara no lago de fogo todos os que não se arrependeram dos seus pecados. Conforme declarado nas Escrituras, Deus é um fogo que consome! ( Exô. 24.17; Is 66.15; Heb. 12.29).

Deus não faz vista grossa com o pecado; Ele não finge que não está vendo! Deus é amor, mas também é justiça. Ele se ira todos os dias contra o pecado e não terá o culpado como inocente. Não poucos crentes desconhecem o Deus que as Escrituras revelam. Vejam o que esse Salmo diz sobre Deus:

"Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias. Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco; já preparou armas mortíferas, fazendo suas setas inflamadas". (Salmos 7.11-13).

No dia do Juízo Final Deus não terá misericórdia de ninguém; Ele exercerá a Sua justiça contra os culpados sem dó nem piedade, e lançara no inferno todos os que resistiram ao Evangelho, insistindo em viver uma vida de pecado.

Sabemos que somos pecadores. Porém, pecadores regenerados, arrependidos. Embora não sendo mais escravos do pecado por termos sido libertos por Cristo Jesus, o pecado ainda não foi por completo abolido de nossa vida. Somente quando a nossa redenção for completada quando Cristo se manifestar, aí sim ficaremos plenamente livre do pecado, pois o nosso corpo corruptível será transformado e nenhum resquício de pecado sobrará (1Coríntios 15.54).

Enquanto, porém, isso não acontece, continuaremos pecando, ainda que sem querer. Importante a se dizer e que o crente regenerado não peca por prazer, mas por acidente; o crente verdadeiro não tem o pecado como estilo de vida. Mas, infelizmente em algumas circunstâncias da vida, pecamos contra Deus, não porque queremos, mas por fraqueza. Não obstante, o fato de pecarmos não faz e nem fará jamais com que Deus nos ame menos. Isso porque o amor de Deus é imutável, ou seja, não sofre diminuição, alteração e nem mudança (Tiago 1.17). Sendo assim, podemos estar seguros e confiantes de que o amor de Deus por nós sempre será o mesmo, ainda que falhemos às vezes.

Na noite em que Jesus foi preso, Pedro, por medo e fraqueza o negou três vezes, isso foi muito grave, certamente. Contudo, o amor de Jesus pelo seu amado discípulo não sofreu nem um grau de alteração. Apesar de Pedro ter falhado feio, Jesus ainda o amava com um amor profundo, intenso e imutável. 

O amor de Deus é como uma rocha - inabalável! Por certo, não há nada que possamos fazer para diminuir ou aumentar o amor Deus  por nós. 

"O amor de Deus não se rende às vicissitudes. O amor divino é forte como a morte... as muitas águas não poderiam apagar este amor (Cantares 8. 6-7). Nada pode nos separar dele ( Romanos 8. 35-39). Seu amor não se mede e não conhece fim, nada pode mudá-lo, nem seu curso. Eternamente o mesmo, sem cessar dimana do manancial eterno" - A.W.Pink
O amor de Deus é infalível e verdadeiro. A prova real de que Ele nos ama se encontra no fato de Ele ter enviado o Seu Filho Jesus Cristo para morrer por na cruz quando ainda andávamos no pecado (Romanos 5.8), fazendo cair sobre Ele os nossos pecados e derramando sobre Ele toda a ira que era para ter caído sobre nós.

Priscila Gomes

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